14º CNTTR
Delegados e delegadas do 14º Congresso da CONTAG aprofundam debates para fortalecer o movimento sindical e valorizar a agricultura familiar
02 de abril de 2025 ás 20:33:18


Foto : LR Fernandes

O início do segundo dia do 14º Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (14º CNTTR), na manhã desta quarta-feira (2), foi marcado por uma importante análise política da atual conjuntura da agricultura familiar e do Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR).

A secretária de Política Agrícola da CONTAG, Vânia Marques Pinto, coordenou o momento com o presidente da CONTAG, Aristides Santos. A dirigente abordou no início da mesa que “neste momento, nós olharemos nacionalmente para dentro do movimento sindical e para as nossas práticas, debatendo coletivamente o que almejamos para o nosso Sistema Confederativo, Sindicatos, Federações e CONTAG. Além disso, também olharemos para a nossa sociedade como um todo.”

As discussões deste momento evidenciaram o presente e as perspectivas para o futuro. O tema foi introduzido pelo sociólogo, professor e pesquisador, Arilson Favareto, e pela secretária de Políticas Sociais da CONTAG, Edjane Rodrigues.

Durante sua fala, Arilson Favareto abordou cinco principais tópicos, sendo eles a conjuntura política e econômica no Brasil, a conjuntura internacional e suas consequências, as políticas para a agricultura e o Brasil rural, desafios para a agenda sindical e trunfos.

“As pessoas só vão acreditar na democracia quando essas forças sociais, a esquerda ou à direita, forem capazes de dar resposta para os problemas do povo. A minha opinião pessoal é que da direita eu não espero esse tipo de resposta. Já da esquerda eu espero, mas precisamos renovar o pensamento da esquerda”, compartilhou Arilson Favareto.

De acordo com o palestrante, existem diversos desafios para o movimento sindical, dentre eles a diminuição da base sindical, as mudanças climáticas que estão mudando o mapa da produção agropecuária, os fundos para transição climática estão sendo capturados por grandes empreendimentos, os programas e políticas sociais que não chegam às bases sindicais de forma igual e a necessidade de uma nova geração de políticas e de inovações organizativas.

Mas, para Favareto, o Sistema Confederativo (STTRs, FETAGs e CONTAG) possui formas de superar estas adversidades por ser um movimento forte e organizado, que tem a sua capilaridade para chegar aos territórios, com novas lideranças e juventude. Além disso, ele cita, que “é a partir das crises que nascem o novo.”

A secretária de Políticas Sociais da CONTAG, Edjane Rodrigues, que seguiu o painel, abordou principalmente a importância da democracia para a organização sindical e para criação de políticas públicas estruturantes para o campo, floresta e águas.

“Uma das nossas maiores bandeiras de luta, enquanto movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais, é a defesa da democracia, porque é a partir dela que conseguimos garantir direitos para os agricultores e agricultoras familiares e para a sociedade como um todo”, compartilhou a secretária.

A secretária também destacou o trabalho realizado a partir da Campanha Nacional de Sindicalização – Sindicato de Portas Abertas. Ainda, abordou a importância do programa para a sustentabilidade político-financeira, a construção política do movimento e o fortalecimento da representação dos agricultores e agricultoras familiares, melhorando a relação político-sindical.

As Comissões Temáticas

Durante a tarde, os delegados e delegadas do Congresso puderam discutir e votar nas propostas de emendas ao Documento Base do 14º CNTTR de emendas nos textos específicos e nos temas gerais que serão remetidos à Plenária final do Congresso e, posteriormente, incluídos nos Anais se aprovados pela maioria do plenário.

Os/as participantes foram divididos em nove Comissões Temáticas que abordaram as principais bandeiras de luta do movimento sindical: Política Agrária; Política Ambiental; Política Agrícola; Políticas Sociais; Organização e participação da juventude rural / participação política das crianças e adolescentes; Organização e participação de pessoas da terceira idade, idosos e idosas; Organização e participação políticas das mulheres trabalhadoras rurais; Educação popular e estratégia formativa; e Comunicação sindical e popular.

Além disso, todas as comissões tiveram que discutir as propostas voltadas para a organização, estrutura sindical, sustentabilidade político-financeira e o plano de lutas para o Sistema Confederativo CONTAG.

“Foi um dia importante no nosso Congresso. Fizemos uma boa análise de conjuntura e bons debates nas comissões temáticas. Na Plenária final, no último dia do 14º CNTTR, vamos finalizar esse processo de aprovação das resoluções congressuais e do plano de lutas que entrarão nos Anais e subsidiarão o Planejamento da próxima gestão e de todo o Sistema Confederativo. Que esse trabalho realmente nos ajude a fortalecer o Movimento Sindical e a valorizar a agricultura familiar”, compartilha o presidente da CONTAG, Aristides Santos.

Por Malu Souza / Comunicação CONTAG

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